Enquanto ansiosos
estávamos na busca por uma casa, íamos descobrindo os caminhos da Universidade
de Évora ou simplesmente UÉ.
Acostumar-se com os sotaques portugueses (há estudantes de diversas
regiões lusitanas na UÉ), os novos corredores, as novas salas para resolver
pendências, os novos mecanismos de estudo e as novas pessoas que encontramos
(muitos brasileiros inclusive). Fomos às primeiras aulas praticamente depois
que resolvemos nossa primeira pendência que era a questão de moradia, estes
primeiros contatos foram constituídos de choques culturais e exercícios de
alteridade, todavia, após umas duas semanas, o diferente já tinha se integrado
a rotina. Rotina que se constituiu em andar pelo Colégio do Espírito Santo
(CES), principal prédio de aulas e que requer um desafio a atenção, tendo em
vista que é um prédio edificado no século XVI, ou seja, recheado de informações
históricas. O chafariz no centro do CES constitui um atrativo diferencial ao
conjunto arquitetônico, em volta do chafariz as principais salas da UÉ,
decoradas com azulejos portugueses e cada uma com uma temática específica:
gêneros literários, física, metafísica, latim, sagradas escrituras, geografia,
etc. os portões e grades das janelas também seduzem pela sua integração a
estrutura do prédio, bem como em alguns corredores somos surpreendidos com
afrescos e painéis pintados no teto ou na parede. Deste modo, ir a UÉ é sempre
um desafio: entrar nas salas de aula ou sentir o prédio e apreender suas
camadas de história.
E os primeiros dias
em Évora foram assim, carregados de olhos brilhantes, sorrisos largos e um
pensamento uníssono: Europa! Caminhamos guiando-nos pelo mapa turístico, e
muitas vezes errando os caminhos, porém sem deixar de nos encantar. Sim,
tentamos registrar algumas dessas marcas e sensações que Évora nos
compartilhava e refletindo: ou somos muito bobos ou tudo aqui é mesmo uma
moldura fotográfica, ou ainda como diria um de nós quatro, - “essa cidade é
belíssima”. Caminhamos bastante (os pés são o principal meio de transporte para
quem habita dentro das muralhas ou seu entorno) e a cada calçada ou calçamento,
a cada muro ou pedaço da Muralha, a cada árvore ou jardim inteiro, a cada
janela ou casa extasiava-nos de alegria. Subir a rua de Serpa Pinto, atravessar
a rua Diogo Cão, andar pela rua do Menino Jesus, descer a rua do Raimundo,
caminhar na Praça do Giraldo e sentar ao lado do seu chafariz quinhentista,
vislumbrar as igrejas de Santo Antão, a Sé, de São João Evangelista e a de São
Brás, perceber os contornos dos muros, quer seja da época romana ou da época
moura e ver o Templo Romano... ah o Templo Romano! (vulgarmente conhecido como
Templo de Diana) compuseram nossas primeiras impressões, marcas deixadas em nós
por essa cidade museu.
Postado por: Raffael
Barbosa


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