Horizontes & Esquadros

Blog para contar caminhos, horizontes e esquadros de uma experiência transatlântica.

17 de novembro de 2012

Caminhando pela UÉ



Enquanto ansiosos estávamos na busca por uma casa, íamos descobrindo os caminhos da Universidade de Évora ou simplesmente UÉ.  Acostumar-se com os sotaques portugueses (há estudantes de diversas regiões lusitanas na UÉ), os novos corredores, as novas salas para resolver pendências, os novos mecanismos de estudo e as novas pessoas que encontramos (muitos brasileiros inclusive). Fomos às primeiras aulas praticamente depois que resolvemos nossa primeira pendência que era a questão de moradia, estes primeiros contatos foram constituídos de choques culturais e exercícios de alteridade, todavia, após umas duas semanas, o diferente já tinha se integrado a rotina. Rotina que se constituiu em andar pelo Colégio do Espírito Santo (CES), principal prédio de aulas e que requer um desafio a atenção, tendo em vista que é um prédio edificado no século XVI, ou seja, recheado de informações históricas. O chafariz no centro do CES constitui um atrativo diferencial ao conjunto arquitetônico, em volta do chafariz as principais salas da UÉ, decoradas com azulejos portugueses e cada uma com uma temática específica: gêneros literários, física, metafísica, latim, sagradas escrituras, geografia, etc. os portões e grades das janelas também seduzem pela sua integração a estrutura do prédio, bem como em alguns corredores somos surpreendidos com afrescos e painéis pintados no teto ou na parede. Deste modo, ir a UÉ é sempre um desafio: entrar nas salas de aula ou sentir o prédio e apreender suas camadas de história.
E os primeiros dias em Évora foram assim, carregados de olhos brilhantes, sorrisos largos e um pensamento uníssono: Europa! Caminhamos guiando-nos pelo mapa turístico, e muitas vezes errando os caminhos, porém sem deixar de nos encantar. Sim, tentamos registrar algumas dessas marcas e sensações que Évora nos compartilhava e refletindo: ou somos muito bobos ou tudo aqui é mesmo uma moldura fotográfica, ou ainda como diria um de nós quatro, - “essa cidade é belíssima”. Caminhamos bastante (os pés são o principal meio de transporte para quem habita dentro das muralhas ou seu entorno) e a cada calçada ou calçamento, a cada muro ou pedaço da Muralha, a cada árvore ou jardim inteiro, a cada janela ou casa extasiava-nos de alegria. Subir a rua de Serpa Pinto, atravessar a rua Diogo Cão, andar pela rua do Menino Jesus, descer a rua do Raimundo, caminhar na Praça do Giraldo e sentar ao lado do seu chafariz quinhentista, vislumbrar as igrejas de Santo Antão, a Sé, de São João Evangelista e a de São Brás, perceber os contornos dos muros, quer seja da época romana ou da época moura e ver o Templo Romano... ah o Templo Romano! (vulgarmente conhecido como Templo de Diana) compuseram nossas primeiras impressões, marcas deixadas em nós por essa cidade museu.

Postado por: Raffael Barbosa

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